2 de agosto de 2011

Compondo - Retrospectiva

Hoje, em meio a sites, noticias, tantos acontecimentos em meu país e no mundo, parei. Olhei pra dentro. Meu interior. E peguei-me olhando para o passado. Olhando pequenos vestígios daquilo que outrora trouxe-me tristeza, anguústia e tamanha dor que verbalmente não me era possível descrever. Rastros do que um dia me foi designado passar e vivenciar, extraindo o máximo das forças que haviam se acumulado em mim depois de alguns anos desenvolvendo a prévia daquilo que um dia viria a ser o meu caráter. Peguei-me observando com olhos cerrados, atentos a qualquer movimento, do cume de um canyon, minha própria passagem pelas quentes areias de um deserto, obaservando qual seria o caminho mais lógico para daquele lugar seco, onde até mesmo a vegetação nativa clamava por socorro, sair o mais rápido possível.

Visualizei-me sob tempestades, sem forças, chorando e por vezes com areia nos olhos no lugar das lágrimas tamanha sequidão que me encontrava. Debaixo de tamanho sol e calor, passando por todas as situações cabiveis e incabiveis, imaginaveis e inimaginaveis tive a nítida impressão de avistar uma imagem sobre as mesmas areias que andava. Seria possível vivenciar uma miragem em uma retrospectiva?

Quando dei-me conta que ainda estava em tempo real, voltei-me para a realidade e sem pesar de pronto, um largo sorriso esvaiu-se dos meus lábios, passando por todo o meu rosto, de certo, desfazendo toda seriedade que há tempos pairava sob meu olhar. Felicidade? Pode ser.
Mas, por que? Depois de tantas areias? Depois de tantas lutas? O que era a tal miragem?
O estado febril da primeira passagem havia contagiado de certo a segunda. Talvez. Mas o que então?

Contemplei... Sorri. Chorei. Larguei mão do pouco de força que ainda me restava. - Lembrei. - Caí. Quase sem forças. Quase sem vida. Foi quando vi. Quando o vi. Certamente que ele me olhava nos olhos e com estes me dizia em silencio "Eu estou aqui. Com você. Ao seu lado. Novamente. Não se preocupe". Tão terno como nunca antes houvera esperimentado. Aquela sensação de olhos nos olhos trouxe-me um rélis desconforto estomacal. E uma sensação gélida por todo o corpo apesar das altas temperaturas do deserto.

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